sábado, 12 de março de 2011

Adeus, beleza do mundo. Beleza que me é agora remota e que eu não quero mais - estou sem poder mais querer a beleza - talvez nunca a tivesse querido mesmo, mas era tão bom!

(...)

Mas com alívio infernal eu me despeço dela.

(...)

Também a beleza do sal e a beleza das lágrimas eu teria de abandonar.


Clarice Lispector, A paixão segundo G.H.
E quando acordava? Quando acordava não sabia mais quem era. Só depois é que pensava com satisfação: sou datilógrafa e virgem, e gosto de coca - cola. Só então vestia - se de si mesma, passava o resto do dia representando com obediência o papel de ser.

(...)

Mas parece - me que sua vida era uma longa meditação sobre o nada. Só que precisava dos outros para crer em si mesma, senão se perderia nos sucessivos e redondos vácuos que havia nela.


Clarice Lispector, A hora da estrela