quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

"Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira."






Mas, na verdade, será atroz o peso e bela a leveza?
O mais pesado fardo nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.
Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes.
Então, o que escolher? O peso ou a leveza?



A insustentável leveza do ser, Milan Kundera

2 comentários:

Sahara Higino disse...

Tu escreves como eu,
escrevia a alguns anos.
O escritor por sua vez,
torna-se adepto as
palavras, ao tempo,
dor e lamento.

Assim,
O muda.

Que todo enredo seja
bem-vindo.
Estou a seguir-te.
Luz!

frô disse...

Há alguns dias conversava sobre esse livro, com uma amiga...
A escolha minha, sempre o fardo.
Escolher a leveza, parece-me fraqueza...