quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

"Não há nada mais ácil do que amar quem não temos, quem nos falta: isso se chama estar apaixonado,"







Lembre-se de Proust em 'Em busca do tempo perdido': "Albertine presente, Albertine desaparecida..." Quando ela não está presente, ele sofre atrozmente: está disposto a tudo para que ela volte. Quando ela está presente, ele se entedia: está disposto a tudo para que ela vá embora. Não há nada mais ácil do que amar quem não temos, quem nos falta: isso se chama estar apaixonado, e está ao alcance de qualquer um. Mas amar quem temos, aquele ou aquela com quem vivemos, é outra coisa! Quem não viveu essas oscilações, essas intermintências do coração? Ora amamos quem não temos, e sofremos com essa falta: é o que se chama de um tormento amoroso; ora temos quem já não nos falta e nos entediamos: é o que chamamos de um casal. E é raro que isso baste à felicidade.'


(André Comte-Sponville - A felicidade, desesperadamente)





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