segunda-feira, 8 de julho de 2013

"... o amor, por definição, é uma dádiva não merecida."

Por incrível que pareça, estou ficando excitada com toda essa confusão. Pela primeira vez na vida estou correndo, talvez, o risco de ser assassinada. Será ao lado dele. O resto que se dane.

 - Você gosta de mim, Ernesto? Jura que a gente não vai se separar nunca, haja o que houver?





Em resposta, ele lhe acariciou o pescoço e sorriu. Ai, que coisa gostosa. Cada um de nós sofre, mais ou menos, da insignificância da vida insossa que leva. E deseja, seja a que preço for, escapar do presente e dar nova dimensão à existência. O sentimento de eleição, de privilégio, está presente em toda relação amorosa, pois o amor, por definição, é uma dádiva não merecida. Ser amado, sem ter mérito para isso, é ter a prova definitiva de que um amor verdadeiro se instaurou. Se uma mulher diz a um homem: eu te amo porque você é inteligente, honesto, gentil com minha família, me dá presentinhos, não anda atrás das outras, me ajuda a lavar a louça, o homem fica frustrado. Ele mil vezes preferia que ela dissesse: sou louca por ti, nem sei por quê, você não é nenhuma inteligência rara, mente demais, é egoísta e ordinário, dorme com tudo quanto é vagabunda, eu te gosto, minha paixão, vem cá, me beija, me aperta toda.





(A dança dos desejos, opus 13 - Esdras do Nascimento)

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