quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Melhor não viver que não amar.

O amor nunca falha, e a vida não falhará enquanto houver amor.

Seja qual for sua crença, ou sua Fé, busque primeiro o Amor. Ele está aqui, existindo agora, neste momento. O pior destino que um homem pode ter é viver e morrer sozinho, sem amar e sem ser amado.

O poder da vontade não transforma o homem.
O tempo não transforma o homem.
O Amor transforma.


#HenryDrummond #ODomSupremo

segunda-feira, 22 de junho de 2015

O mundo deles era um mundo com medo.

Devagarinho, ele foi entendendo a diferença entre os elefantes e os tigres. Até que um dia ele entendeu. A diferença é que os tigres tinham medo. Por isso é que eram assim: quem tinha medo só podia dar medo. O mundo deles era um mundo com medo.

Os elefantes, não. Eles não tinham medo de nada. Parecia que tudo estava certo, viver era bom. 

Baita já tinha tido medo muitas vezes na vida. Mas nunca como um tigre.

Então ele pensou: "Quando eu tiver muito medo, quero ser como um tigre. Até lá, quero ser como um elefante".



(Paulo Leminski - Guerra dentro da gente)

sexta-feira, 19 de junho de 2015

porque havia de estar triste?

- Vou sobrevivendo a mim própria.

A entoação está longe de condizer com a máscara. Não é trágica, é... horrível: exprime um desespero seco, sem lágrimas, sem piedade. Sim, há nela algo de irremediavelmente ressequido.

A máscara cai; ela sorri.

- Não estou nada triste. Ao constatá-lo, muitas vezes fiquei surpreendida, mas sem razão: porque havia de estar triste? Antigamente, era acessível a paixões duma grande beleza. Odiei com paixão a minha mãe. E mesmo tu - diz ela num desafio - amei-te apaixonadamente.

Fica à espera da réplica. Não digo palavra.
 
- É claro que tudo isso acabou.

- Como é que podes saber?

- Sei. Sei que nunca mais encontrarei coisa nenhuma nem ninguém que me inspire paixão. Sabes? Pôr-se uma pessoa a amar alguém não é tarefa fácil. É preciso ter uma energia, uma generosidade... É preciso uma cegueira... Há até um momento, logo ao princípio, em que se tem de saltar por cima dum precipício: quem reflecte não salta. E eu sei que nunca mais saltarei.

- Porquê?

Deita-me um olhar irónico e não responde.
 
- Agora - diz ela - vivo rodeada pelas minhas paixões defuntas. 


(A náusea - Jean-Paul Sartre)

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Não, não quero ser feliz.

Lóri estava suavemente espantada. Então isso era a felicidade. De início se sentiu vazia. Depois seus olhos ficaram úmidos: era felicidade, mas como sou mortal, como o amor pelo mundo me transcende. O amor pela vida mortal a assassinava docemente, aos poucos. E o que é que eu faço? Que faço da felicidade? Que faço dessa paz estranha e aguda, que já está começando a me doer como uma angústia, como um grande silêncio de espaços? A quem dou minha felicidade, que já está começando a me rasgar um pouco e me assusta. Não, não quero ser feliz. Prefiro a mediocridade. Ah, milhares de pessoas não têm coragem de pelo menos prolongar-se um pouco mais nessa coisa desconhecida que é sentir-se feliz e preferem a mediocridade. Ela se despediu de Ulisses quase correndo: ele era o perigo.


(Clarice Lispector - Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres)